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Sobre acordar cedo e sobre arte



Ai que tuuuudo! Quebrando as barreiras da vergonha na cara e fazendo mais um vídeo, sobre um dos principais dilemas da minha vida: sair ou não sair da cama? Eis a questão!

Também pensei em arte. Um vídeo tosco, bagunçado. Tipo, como a minha vida mesmo.






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Estado de negatividade




Amanhã tenho consulta, você pode me levar?
A resposta poderia ser simples: Não. 
Mas ao invés disso, porque não colocarmos inúmeros problemas nessa questão. Que dia é a consulta? (pergunta feita dois dias consecutivos, e o interrogatório me pareceu tão pertinente que cheguei a duvidar de mim mesma). Mas tarde, lembrei-me que fui clara no dia seguinte: A consulta é na quinta dia 07. Mas aí ele diz: amanhã não é quinta. Então mais uma vez eu penso que escorreguei. Não ando pensando bem. Estou louca. Não sei mais agendar meus horários. 


Mas amanhã é quinta, dia 07. 


E antes que a discussão fosse para as várias coisas erradas que poderiam acontecer no caminho, de como ele está ocupado, atrasado, enquanto eu me definho, e enquanto eu me vou todo dia um pouquinho..Ora, seus programas de computadores são tão importantes. Tudo que eu tenho que fazer é servir seu café quentinho. Ficar quietinha na cama e me fingir de morta. 

Mas não preciso mais fingir. Eu morri realmente há muito tempo. Tenho todo o amor por ele guardado numa caixinha aqui no meu coração. E tenho todo repulsa que a inércia dele me faz sentir também. Enraizou-se numa poltrona e colou seus dedos num computador. As orelhas viraram uma espécie de aparelho em círculos. Números, telas negras...Isso é muito importante. 


É sempre tão negativo com tudo: isso não vai dar certo, aquilo não podemos ter. Isso não podemos comprar, eu acho que isso não é importante agora. 

O importante agora são seus programas. Seus sistemas. E eu me definho tão rapidamente. Eu digo adeus todos os dias, absolutamente todos os dias. Ele sequer luta pra perceber. Tem muita aulas online pra assistir. Muitas aventuras sexuais pra viver. 

Meus cabelos, amáveis cabelos brancos, se multiplicam  tão depressa. Coleciono com tanto carinho. Não fosse as idas ao tribunais, jamais os pintaria. A forma que meu corpo se curva, os ossos cada dia mais aparente. Eu estou pronta. Mas ele não percebe. 


Tentei lhe contar sobre meus sonhos a noite. Que me disseram que sou uma espécie de médium de desdobramento. Ele não liga. Ele não acredita. Na verdade, ele não tem fé em nada. 

Eu vou sozinha a consulta, como sempre. Quem tem tempo pra cuidar de suas esposas hoje em dia? Não recebemos café, nem prato de comida. Nós fazemos, nós limpamos ou contratamos alguém pra limpar. 


Eu dou-lhe um adeus todo dia. As vezes eu lhe peço um abraço, Ele não entende. 
Ele sinceramente não entende. Tão desleixado que é. Que as ricas do seu mundo de fantasia. Nossa maior riqueza vaza pelo ralo da cozinha. Mas ele não percebe. 
Há dias, pedi pra colocar o remédio contra as formigas. Elas tem destruído nosso apartamento. Mas ele não percebe. Não tem tempo. As garrafas de bebidas na dispensa, que já não tem mais onde escondende-las: um dia me livrarei delas- ele diz, Um dia. Um dia. 

Um dia, um dia....Eu gostaria que meus amáveis leitores nunca repitam isso: um dia. Um dia tudo que ocorrerá que você estará morto e todos os sonhos dos quais você perdeu toda sua vida, estarão morto um dia. Um dia nada acontecerá. 



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A virada de Bethany



Por muitas vezes o filme fica chato. Assim como na vida real.
As vezes, a personagem faz um plano incrível e a gente pensa que vai dar tudo certo. Mas sai tudo errado, assim como na vida real.

As vezes somos estragados por quem mais nos ama. Assim como na vida real.
As vezes o fim é apenas o começo. Assim como na vida real.



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