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a beleza da desgraça alheia

Li no Blog Caos e Cafeína um belo texto que fala sobre o assunto do ano: um suicídio de um certo músico, que vocês sabem quem é. Não vou citar o nome, porque não quero que as pessoas encontrem meu blog porque estavam pesquisando sobre esse suicídio. Mesmo porque, não é sobre o suicídio que vim falar aqui. 

Em resumo, o texto expressa indignação pela exploração dos meios midiáticos, usando da desgraça alheia para gerar rendas, promover marcas e ganhar audiência. Quem quiser conferir, clica aqui.

Belo texto, mas o problema não é os noticiários. Eles apenas retratam aquilo que atraem as pessoas. Se as pessoas fossem atraídas por notícias boas, acreditassem nelas, só existiria notícia boa, porque a intensão da mídia é agaranhar com a audiência. E essa audiência só existe se ela oferecer aquilo que as pessoas querem ver.

Os humanos possuem um lado obscuro. Desejam secretamente espionar a desgraça alheia, porque se sentem mais importantes, ou menos infortunados. Nada melhor que ver alguém em situação pior que a situação que vivemos. Nada seduz mais que ver um homem rico e famoso, cometer suicídio. Isso ameniza nossa culpa pela ingratidão que temos à vida. E ainda ressalta a ideia de que nossa pobreza não pode ser a razão única da insatisfação que sentimos pela nossa condição de vida nessa terra. Pois, se àquele que tem fama, comete suicídio, posso concluir que a fama que eu almejo não me fará tão feliz como eu imagino.

Por isso também falamos mal dos outros: queremos provar para aquele que ouve que existem pessoas piores que nós mesmos. Todo fofoqueiro, todo falador, de certa forma, se auto promove menorizando o outro. Já percebeu como algumas pessoas possuem tantos inimigos declarados e ninguém tem razão para estas?

Para ler o texto completo, clique em Leia Mais!


No meu tema de monografia defendi a influência da mídia  no processo penal. A mídia, ávida por dinheiro, busca satisfazer da forma mais plena possível, o desejo do telespectador de assistir calamidades e crimes hediondos. Mas a mídia alimenta o povo, exatamente daquilo que o povo quer. E o povo quer ver violência, sangue, crimes hediondos, estupros e tudo quanto possa haver de porcaria. Pois a verdade é que cada ser humano, no íntimo de sua alma, desconfia que é miserável, cruel e triste. Ver pessoas piores, como assassinos e estupradores, ameniza com sucesso essa culpa. O pior é que disfarçam a sua curiosidade com declarações de inconformismo. Eles não estão inconformados por causa dos crimes, por causa da violência. Eles estão seduzidos. 

O Estado sabe desse desejo e desse lado obscuro. Ele explora o crime, porque sabe que é a única coisa que amedronta e que seduz as massas. 
Assim, quando o Governo quer, por exemplo, aumentar a idade penal, ele introduz um crime referente na mídia, que durante dias, fará uma lavagem cerebral nas massas, convencendo o cidadão que seu filho de 16 anos, tem discernimento e capacidade mental suficiente pra ser criminoso, caso cometa um erro. Essa é a forma mais eficaz que o Estado-Poder tem de limitar a liberdade de seus administrados, principalmente àqueles pertencentes à classe mais pobre da sociedade. Esta é a melhor forma de impor a lei, de fazer as pessoas aceitarem e concordarem.

A televisão é um lixo. Não por si só, mas porque ela legitima o nosso lado banal, animal e vazio. Obviamente, todo ser humano possui esses lados, no entanto, cabe a cada um se educar, se policiar. 
Dentro da minha pouca experiência de vida, eu aprendi que não é proveitoso, nem respeitoso ficar assistindo uma notícia que fala sobre alguém que cometeu suicídio, que investiga sua intimidade após a morte, que expõe seu corpo morto para quem quiser ver. E por mais que me veja atentada, não assisto. Isso se chama princípios. Não participo dessa violação, porque odiaria que fosse comigo ou com alguém que eu amo. Não aprendo nada com isso. E principalmente, porque estaria eu apenas a saciar minha curiosidade insana e isso não é algo que devemos alimentar.

Mas domar nosso lado obscuro é trabalhoso. Para muitos, melhor é se esbaldar na desgraça alheia, sem saber que com isso, se afunda numa lama e num ciclo vicioso. Pois esse tipo de telespectador é facilmente manipulado, levado e usado para servir àqueles que precisam que as pessoas continuem acreditando neles: como o Estado, por exemplo.



7 comentários:

  1. A conformação de todos os dias. Tentamos justificar nossos erros e falhas pelos outros. As notícias ruins, como o exemplo da morte, se tornaram "normais", banais. Nós não nascemos gostando da graça alheia, isso é imposto pela sociedade. De uns anos pra cá, felizmente abri meus olhos para muitas coisas, e vi "do lado de cá" o quanto isso faz mal. Além disso hoje em dia é muito fácil julgar as pessoas, se tornou também uma coisa normal no dia-a-dia. E se importar com coisas realmente importantes caiu em desuso como se fosse algo ultrapassado. (E isso me lembrou uma tirinha: http://goo.gl/gL3ouU)

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    1. Belíssimas observações.
      Penso que o conformismo não está diretamente ligado a submissão dos humanos à desgraça alheia, que é melhor retratada e explorada pela mídia. O que o inconformismo faz? Ele não faz mais que o conformismo. Atitudes fazem e essas podem vir do tanto do Conformado quanto do Inconformado. A bem da verdade, posso ver uma reportagem de um homem que espancou uma mulher e me sentir inconformada com isso. E só.

      Assim como uma pessoa vê, se sente conformada e nunca terá a coragem de fazer o mesmo com qualquer pessoa que seja.

      O que estou querendo dizer é que nem me importo muito com o conformismo ou não de todos nós, pois acredito que todo ser humano, inclusive eu, deixa a desejar nesse sentido. Mas o que preocupa mesmo é a falta de policiamento dos nossos sentimentos, a atração pela desgraça alheia,ou a nossa falta de respeito.

      Em suma, penso que agir correto deveria ser a palavra suprema e que nossos atos não devem ser submetidos ao elemento subjetivo (sentimentos), ou seja, agir bem não deve depender de como eu me sinto, porque não posso me sentir bem o tempo todo ou Inconformada o tempo todo, mas devo agir corretamente com as pessoas, independentemente de como eu me sinto.
      Isso se chama complacência, educação, compaixão e gentileza.

      O problema é que as pessoas são educadas a pensar que o que elas SENTEM devem estar acima de qualquer coisa e deve se externar sempre. Quanto na verdade, devemos é aprender a controlar o que sentimentos e nos dispor a agir sempre corretamente com o outro, independentemente de como nos sentimos. Nesse prima, ter ou não conformismo, seria irrelevante. Mesmo porque, somos humanos e já nascemos sim, com o bem e o mal no coração. Só nos resta saber educar esses sentimentos e nos policiar.

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  2. Belíssimo texto, Sabrina. Infelizmente, não se faz mais nada por amor. Em certo ponto, tudo parece se curvar ao dinheiro. Com a TV não é diferente, e o nível cai a cada dia. O pior de tudo é ver que a população se deixa levar por essas coisas e que é por causa dela que tudo se encontra assim. A TV, assim como outras mídias, parece destruir a capacidade de raciocínio dos indivíduos, que, ao invés de pensarem por si sós, aceitam o que vem da boca dos outros sem refletir. É muito triste ver esse lado humano.

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    1. Acho que isso que você disse: _"A TV, assim como outras mídias, parece destruir a capacidade de raciocínio dos indivíduos, que, ao invés de pensarem por si sós, aceitam o que vem da boca dos outros sem refletir"_... é de tudo o mais agravante. Você tem muita razão no que disse porque hoje, a gente percebe que as pessoas tendem a seguir o raciocínio midiático.

      Aquele que ficou o dia todo a se submeter às vontades do seu empregador, chega em casa ávido a se sentir um pouco mais "participante do mundo", e a TV o ajuda nisso. Talvez seria demais querer que essa pessoa deixe de prestigiá-la.
      No entanto, não seria demais esperar que essa pessoa tenha capacidade suficiente de entender a miserabilidade disso, e de continuar um ser pensante e independente.

      Tainara, que honra a sua participação! :)

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    2. Realmente, todos temos capacidade para tentar ser um pouco mais conscientes da realidade (mesmo sendo ela tão relativa e de difícil compreensão) e tentar concluir coisas por si só. Mas parece ser da natureza humana deixar-se levar pela emoção de forma exagerada, deixando o raciocínio completamente de lado. E é isso o que a TV faz: deixa você ser levado pela emoção. Sentimentos de massa arrebatando massas, fisgando pela capacidade de te fazer se identificar com um personagem, com o humor de um apresentador... É o carisma. Claro, pode-se encontrar bastante informação útil na TV, ainda sim, e se você souber "filtrar", melhor ainda, não se pode generalizar, mas o problema é: as maiores emissoras televisivas são aquelas que mais transmitem conteúdo apelativo. E quando digo apelativo, não falo exatamente e somente do apelo sexual, mas também do emocional (aquela história, de sentimentos de massa arrebatando massas). É o povo reforçando esse tipo de mídia e a mídia reforçando essa carência da população. Um ciclo vicioso.

      OBS.:
      Sabrina, a honra é minha! Estou adorando seu blog. Andei vasculhando os posts, e estou realmente adorando! Abraços! ;)

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    3. Ahhhhh e eu vasculhando o seu! Leio todo dia, a noite. To amando tudo lá! E o layout é de extremo bom gosto, tá de parabéns. Fico feliz que tenha deixado eu falar do seu blog aqui no Tromba, porque eu realmente gosto de falar de outros blogs aqui. Um forte abraço, Tainara! E saiba que aqui você tem uma amiga! ^.^

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  3. Está super de parabéns!

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