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Deselegância nas Redes Sociais

Estou cansada de falar aqui no blog sobre como eu desprezo o Facebook. Mas acabo de ver uma notícia que me fez concluir uma coisa: eu não tenho só desprezo pelo Facebook em si, mas desprezo a cultura de uso que nosso povo emprega na rede.

A Globo.com lançou em seu site uma notícia de uma garota que fora encontrada estrangulada nessa segunda-feira, dia 07 de outubro, em Campo Grande, Zona Oeste do Rio.
Cláudia Marinho de Lima, de 18 anos, estava com marcas de estrangulamento em um terreno baldio na Estrada do Itumirim, no Jardim Maravilha.

De acordo com a reportagem, os investigadores estão com maior atenção ao seu perfil no Facebook, uma vez que Cláudia tinha o hábito de publicar fotos de biquíni na praia e dias antes, chegou a publicar uma mensagem expressando sua vontade de encontrar um namorado:


Assim está no site: 


Na sexta-feira passada (4), Cláudia publicou na rede social mensagem em busca de um namorado. 'Quem aceita namorar comigo agora?', perguntou. Em outra publicação, sugeriu: 'Com essa chuvinha está bom pra dormir de conchinha, debaixo daquele cobertor'. No sábado (5), a família da vítima registrou o desaparecimento na delegacia de Campo Grande (35 DP). Em seu perfil no Facebook, Cláudia aparece em várias fotos com a família e de biquíni na praia. A polícia apura se a morte tem relação com a mensagem no Facebook. 'Vamos quebrar o sigilo do perfil para saber quem entrou em contato com ela. Essa é uma das linhas de investigação. A jovem se colocou em uma situação de vulnerabilidade', explicou o delegado Rivaldo Barbosa. O corpo foi localizado na tarde de segunda-feira (7).


Quem segue o blog, sabe que eu ODEIO notícias de apelo criminal. Mas esta eu vou comentar e publicar, porque infelizmente, as pessoas só dão atenção quando a gente desenha.

Pode ser que o crime não tenha ligação nenhuma com a rede, mas olha como esta garota foi exposta, mesmo após sua morte. Não bastasse ser estrangulada, tem seus sentimentos analisados por toda a sociedade. Afinal, todos agora perguntam: Trata-se de uma desesperada carente caçando paixões? E seu perfil nos parece mais preocupante que um assassino a solta por aí.

Meninas, meninos: Hoje em dia  (ainda que isso me deixe triste) temos que entender que o Facebook é nosso currículo social. Essa rede representa sua imagem perante a sociedade. Sobre esse prima, ela pode sim, colaborar na promulgação de suas ideias e de sua personalidade. Mas ao mesmo tempo que ela pode colaborar com sua vida, ela pode destruí-la em mil pedaços.

Os equivocados dirão: Oh, que culpa tem a rede? Ela que se expôs, se arriscou, o problema é dela. 
Eu respondo: EXATO! A rede não tem culpa nenhuma. Mas até quando as pessoas irão continuar tão inocentes com relação as redes sociais, principalmente quanto ao Facebook? 
Perceba que o hábito da população em geral, de se expôr tão gratuitamente na rede, representa um preocupante quadro: a falta de informação, de auto proteção, a falta de valor de um dos princípios constitucionais mais importantes: O direito à intimidade e a privacidade. 

As pessoas permitem que um homem chamado  Mark Zuckerberg tenha todos os registros sobre suas vidas: seus equívocos de pensamentos, seus corpos, sua árvore genética.... Tudo porque colaboram com o entendimento de que suas vidas não tem importância nenhuma. Elas dizem: ué, eu não sou ninguém, não faço nada demais, que importância tem o Face saber o que eu faço, a hora que eu durmo, onde eu moro, onde vou passar o final de semana, o que eu penso? 

Vocês conseguem perceber a gravidade desse meio de pensamento? Dessa cultura? 

Os perfis das crianças são os que mais me deixam chocada! Meninas de biquíni, com o decote aparente, agindo como adolescentes. Meninas de 12 anos, falando de bebida, de sexo, de coisas que provavelmente daqui alguns anos, elas se arrependerão, assim como todos nós. 
Perceba que o problema aqui, não é ser criança e se equivocar, mas ser criança e publicar tais equívocos que ficarão registrados em um sistema para todo o sempre. Lembre-se que mesmo excluindo seu Face, todos os seus dados permanecem com eles.

Eu já pensei coisas, disse coisas e fiz coisas na infância que hoje percebo não terem sido prudentes. Mas essas coisas são minhas memórias íntimas. Só eu sei delas, porque elas compõem minhas intimidade. Mas as meninas hoje são levadas a se exporem e os pais (ah, os pais) veem tudo e nada dizem. Aliás, eles são os primeiros a dar o mal exemplo.

Imagine a seguinte história:

Luciana criou seu perfil no Facebook aos 7 anos de idade. Logo que completou seus 8 anos, ganhou certa liberdade em publicar na página, seus pensamentos e suas fotos. Um dia foi no sítio dos avós e publicou uma foto na piscina, de biquíni  Aos 13, achou que ficaria legal publicar uma foto com cerveja na mão, em uma festa com seus amigos.
Aos 15, leu uma frese na internet que achou bem bonita: Enquanto não encontro os caras certos, me divirto com os errados. A frase virou tema de perfil e foi muito curtida. 
Ocorre que quando Luciana ficou adulta, ela teve um filho. E este filho foi uma grande figura na humanidade. Chegou a ser presidente e era a imagem da honestidade, da ética e da fraternidade.
Anos e anos se passaram. Luciana morreu, logo depois, seu filho também. Mas as pessoas não se esqueciam dele e resolveram fazer uma bibliografia sua sua vida. Nela, Luciana consta como a mãe desorientada que deu a luz à um filho divino. Aos 13, já se expunha na internet, aos 15 já bebia e namorava toda a gente. 

Entendeu? Agora imagina o quanto  Mark Zuckerberg vai ganhar vendendo essas informações. Muitos dos que se expõe no Face hoje (principalmente as crianças) serão grandes nomes de amanhã. E o dono da rede sabe disso. Imagine se o Facebook existisse na época que  Marilyn Monroe  tinha 15 anos, ou quando ela era criança e adolescente? Hoje, a rede teria informações sobre o passado dela, preciosíssimas e poderia ganhar um bom dinheiro depois que a imagem dela caísse no domínio popular, sem precisar de autorização dos responsáveis pela marca ou de repassar qualquer valor aos herdeiros de Marilyn.

Elegância, prudencia e educação, já resolveria muito!


Se as pessoas tem dificuldade de entender a gravidade de expor suas intimidades, deveriam pelo menos serem mais prudentes com relação a rede. Cada foto publicada lá, cai no domínio público. Qualquer pessoa pode salvar em seu computador e fazer o que quiser com ela. Ainda que você limite, tem sempre alguém que poderá ter acesso a sua foto.

Um amigo aqui do trabalho me contou que um dia achou a foto da irmã em um site de pornografia. Um fake tinha compartilhado na página "ninfetinhas". Ficou possesso. Mas até a irmã de 13 anos entender a gravidade de tirar foto de biquíni, isso acabou por acontecer. 

Na própria rede social que eu frequento, o Google Plus, existem inúmeros perfis fakes construídos com fotos de outras pessoas, a maioria retiradas do Facebook.

E se você não sabe, existe vários blogs que capturam fotos no perfil de Facebook  para realizarem chacotas sobre a falta de bom gosto e auto senso crítico de seus criadores. Zombam não só das fotos, mas de tudo que se escreve lá. Capturam isso no Face porque é o lugar que as pessoas mais se sentem a vontade para falar de si mesmas. 
Quantas pessoas você conhece que tem um blog? Agora me diz, quantas você conhece que tem um perfil no Facebook? Um blog requer publicações de assuntos diversos, leituras em geral. E as pessoas gostam mesmo e de fazer publicidade sobre si mesmas. De jogar indireta pro colega de trabalho, de mostrar que está melhor do que realmente está. E para tanto, o Facebook é o meio excelente. 

Agora, porque essa necessidade das meninas em ser sex acima de qualquer coisa? Mas as mães que deveriam ensinar que ser elegante é mais importante que ser sex, são as primeiras a tirar fotos de gosto duvidoso, expondo peitos, bundas e culotes. 
Hoje, ser sex é a cara da riqueza para muitas. Pelo amor do santo Deus! 

Tenha prudência: Não publique fotos de bebês pelados, de você com seu namorado na praia, comendo churrasco, sambando bêbados na cara da sociedade. O mundo pode seguir sem ver isso. Ponha um pouco de elegância nessa decadência e compartilhe com as pessoas àquilo que realmente acrescentará algo na vida delas. Se for postar mensagem, que seja algo inteligente, não precisa ficar expondo o como você se sente o tempo todo. Leia mais e enriqueça suas conversas. 
Se for postar fotos, não precisa ser de si mesmo o tempo todo (foto minha nadando, foto minha dançando, foto minha no sítio, foto minha em casa com os amigos...) poste uma fotografia registrando alguma atitude, que seja plantando árvores, visitando asilos de idosos, um abraço, um quintal bonito que você viu ao caminhar na rua....Há vida lá fora além de você! 
Use isso para se expor menos e divulgar a beleza do mundo! Valorize sua privacidade, sua intimidade. Ela é a coisa mais importante que você tem. A exposição dela pode acabar com você, realizando o efeito contrário que você pretende alcançar com a rede, que é ser admirado, amado e popular. Fica a dica!

(Sabrina Gomes)

10 comentários:

  1. Uau... isso é que eu chamo de serviço de utilidade pública. Quero agora uma ferramenta que obrigue a todos com quem eu compartilhar esse texto que leiam com atenção e abracem a ideia lançada.

    Acontece, querida Sabrina, que nossa sociedade não curte temas agradáveis, do tipo que engrandece a alma e a mente das pessoas.

    Nosso grande Luis Fernando Veríssimo disse, em um de seus contos da obra "Comédias da Vida Privada I", que "o povo não quer a verdade, o povo quer sexo, intrigas e violência"... (faz tempo que li, quando me deparar com esse conto novamente, compartilho contigo... é do estilo do Veríssimo, sarcástico e divertido).

    Seu texto é de leitura praticamente obrigatória. Compartilho no G+, e no Facebook também, inclusive. Beijos.

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    1. Puxa, fico muito feliz por você ter gostado! E mais feliz por encontrar outras pessoas que compartilham das mesmas ideias que eu. Um beijooooo!!

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  2. Perfeito esse texto! As pessoas expõem suas vidas nas redes sociais de uma forma tão natural como se fosse um diário na qual se escreve seus segredos mais íntimos e profundos. E depois, obviamente, colocam a culpa em qualquer um que não seja eles próprios!

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  3. "Um amigo aqui do trabalho me contou que um dia achou a foto da irmã em um site de pornografia." Não sei se fico espantada com o fato da foto ter parado num site de pornografia, ou se fico espantada com o fato do cara ter achado a foto! :O

    Nunca fui de me expor nas redes sociais, no meu facebook eu uso a mesma foto há séculos, as outras são tudo que me marcaram (e mesmo assim já fico com medo, tem umas pessoas que me adicionam só por causa de fotos marcadas no perfil de amigos). Não posto como estou me sentindo, se estou doente, se não estou, a maioria das publicações no meu perfil são de gente que me marcou e coisas de livros. Se eu começar a namorar vou ter que ter uma boa conversa com o namorado, porque de jeito nenhum vou querer fotos na rede social, ou então alterar o relacionamento pra "namorando". Não gosto do facebook, não gosto da forma como eles te vigiam. Pouco me importa se sou uma "Zé Ninguém". Prefiro não me expor e pronto!

    Essa da menina que foi encontrada morta, pode ser que as publicações dela (as que ela se diz carente) seja uma brincadeira, mas também pode ser verdade. Pessoas carentes são fáceis de ser enganadas, então não duvido que seja realmente verdade.

    Enfim, excelente seu texto! Vontade de mostrar pra todo mundo

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    1. Verdade Marina.
      Engraçado que nem sei se pegaram o assassino ou se descobriram quem ele é. A mídia já esqueceu o caso né? Por isso digo sempre: na hora da gente fazer algo pra agradar as pessoas, todo mundo dá força. Mas na hora de encarar as consequências, ficamos sós.

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  4. Eu também não suporto o faceburro, quer dizer facebook, kkkkk
    Você é demais!
    Bjos!

    https://www.youtube.com/user/paulo231004
    https://soundcloud.com/user990420263

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  5. Olá! Cheguei até seu blog porque eu estava procurando um tutorial para inserir um código html no blogger e vi que vou passar um tempo lendo por aqui. Concordo em tudo sobre o Facebook, tenho plena consciência de que embora eu esteja longe de ser do tipo que posta fotos de bíquini e muitas intimidades, ainda assim, sinto que já expus a minha vida lá mais do que deveria e que o uso é viciante, porque funciona como uma droga mesmo, de satisfação rápida ou de expectativa de satisfação imediata. Hoje mesmo eu pensei que meu filho não terá perfil no Facebook antes de ser adolescente, bem adolescente. Não permitirei. E estou fazendo uma varredura e excluindo muita foto. Parabéns pelo artigo!

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  6. Ah, meu blog é: http://petitartiste.blogspot.com

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    1. Fiquei muito feliz com seus comentários, Petit e espero que possamos estender nossa amizade por longas datas. Obrigada pela visite e volte sempre!

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