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Os humanos Rotulados e seus Altos Egos


Odeio Modinha: grupinho dos hippies me enjoa, aquele tipo de gente que adora divulgar a liberdade, a paz entre as pessoas e a libertação das condutas sociais, mas que no final das contas, é só mais um grupinho de modinha,  igual a todos os outros,  com a diferença que seus cabelos estão ao vento, suas tatuagens remetem à simbologia pagã e suas roupas são mais despojadas. A verdade é que os adeptos ao movimento hippie estão tão submissos à moda assim como àqueles que veneram o consumo e que são escravos das marcas famosas. 

Odeio o grupinho também dos moderninhos, aquele povinho jovem e metidos a roqueiros, que também pagam de revolucionários sociais e amadores de cerveja importada. Esses são os piores, na minha opinião, porque acreditam que são "diferentes" e superiores.


Essa necessidade humana da nossa era de se auto intitular e se auto enquadrar em alguma coisa chega a ser deprimente. Antigamente, as pessoas corriam de receber qualquer tipo de rótulo. Quando uma pessoa era enquadrada em qualquer grupo, chorava litros. Porque isso era um péssimo sinal, fosse o grupo que fosse: Se era enquadrada no grupo das patricinhas, também ficava triste, porque era sinal que era odiada e fútil.  Ser chamado de nerd também não era coisa boa. Mas atualmente, quem antes sofria por ser tachado como nerd no passado, hoje até implora para ser reconhecido como um! (síndrome do "The Big Bang Theory").


O fato é que hoje as  próprias pessoas criam seus rótulos, enquadrando-se em alguma definição deprimente, limitando suas mentes ao tamanho de uma noz.  Na faixa dos 13 anos, você já precisa escolher algum grupo: Geeks, Hipsters, Otakus e não sei mais o quê! E o mais hilário é ver todas essas pessoas criticando a exclusão social: uma sociedade em que você é praticamente obrigado a se enquadrar em alguma coisa. Se há rotulação e enquadramento, lógico que haverá exclusão de qualquer coisa! 

Os grupos estão populares não em prol da homogenia cultural, mas sim, da satisfação do super ego. Enquadrar-se em um grupo quer dizer ter personalidade! Em determinada idade, nossos pais passam a elogiar (de forma discreta) nossas manias  e hábitos. A mãe diz: minha filha não é do tipo dependente, não nasceu pra cuidar de homem. O pai fala: meu filho é do tipo revolucionário, é um verdadeiro protestante! O primo diz: minha prima é descolada e moderna. Você de certa forma passa a achar que tem alguma importância por ser diferente dos outros ( e nesse ponto preciso dizer que todos hoje em dia, se sentem diferentes dos outros, por isso, são todos iguais).

Uma vez li num livro de Osho uma coisa bem bacana: ele diz que toda vez que pensar em dizer: Eu sou assim sabe, do tipo que agitada, confusa e incompleta..sou uma pessoa que...
É melhor você se calar. Tudo isso é  o que você foi até então, até o presente momento. E este fato não te obriga a carregar tais definições para todo o sempre. Nunca devemos resumir nossas características, porque estamos em constante desenvolvimento. O homem caminha para a evolução e não é um ser imutável e estático. A partir do momento que você diz sua própria definição, paralisa seu desenvolvimento, porque repete de forma robótica mas consciente, sobre as qualidades que você já foi. Determina no presente, mais uma vez, coisas do passado.


Me parece que quem se estagna nessas crenças de grupo, define sua personalidade de forma estática, como se o "eu" interior pudesse ser facilmente definido e identificado. 

Precisamos ter consciência de que esse enquadramento limita não só nosso meio social, como limita nosso conhecimento, limita nosso cérebro. O homem se enquadra e o faz de forma automática, porque é levado, ainda criança, a se estabelecer em determinado grupo. A sociedade induz o indivíduo a usar uma capa, onde ela poderá saber, logo que olhar para este indivíduo, sobre suas fraquezas, capacidade, ânsias e medos. O rótulo que você recebeu é seu "cartão de visita" ou o seu "currículo vitae". Ele pode determinar, inclusive, como será sua vida e o grupo que você, para sempre, será inserido.

Isso não é legal, não é bonito, não é inteligente e nem reconfortante, como a maioria pensa. Mas a auto promoção da imagem tem transformado as pessoas em seres cujo senso é tão inferior quanto de um bebê. Elas adoram, acham lindo e maneiro.

Para completar melhor a ideia do texto, deixo com vocês esta fantástica palestra de J.Krishnamurti. Deliciem-se!




4 comentários:

  1. Esse texto foi escrito pra mim....eu sempre fiquei tentando me enquadrar em um certo grupo e por não ter um estilo definido eu achava que eu era uma pessoa horrível e tive medo de ser nomeada de pôser devido as minhas misturas.Desde que entrei na escola me enturmei com as "patricinhas" e fiquei popular e aos 10 anos eu desisti disso,até porque eu não achava legal excluir as outras pessoas como fazíamos.Depois me socializei com os "moderninhos" até aos 12 e quis me unir aos "emos" com 14 anos,e por fim me defini roqueira aos 15.Hoje com 16 me vejo misturando tudo quanto é gosto musical e torcendo pra que ninguém me pergunte ou exija que eu defina um estilo ou grupo porque na verdade eu curto muitas coisas e acabo misturando tudo.Fico feliz finalmente de saber que eu não preciso ser de um grupo para eu me sentir especial quando alguém da minha família comenta o quanto eu sou diferente.
    Emily Jacky

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    1. Oh, Emily, foi assim comigo também. Pelo menos acordamos! Muita gente vive assim por toda a vida. Ainda bem que nos livramos disso cedo. Assim sobra mais tempo pra sermos um todo, sem limite!

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  2. Sabrina, seus textos são ótimos! Quando leio um, quero ler todos os outros, até os que eu já li. Nunca fui de me enquadrar em certos grupos, mas sempre tentaram me enquadrar. Acho muito limitado essas coisas de grupos. Por exemplo, gosto de rock, mas também gosto de outros estilos musicais, de outras bandas que não sejam rock e não gosto de todo tipo de rock (e todas as musicas do gênero). Algumas pessoas me perguntam "você é rockeira?" e eu tenho que dizer "não", porque se eu disse sim, teria que passar a ouvir só esse tipo de musica, e a desgostar de todas as outras. O mesmo vale para nerd, patricinha ou qualquer outro rótulo. É tão limitado, eu gosto de poder gostar de tudo ou ser de vários jeitos diferentes em dias diferentes. Se eu disse que sou paciente, terei que ser assim o tempo todo e isso eu não quero pra minha vida! Nunca fui do tipo que queria pertencer a um grupo, mas sempre me senti (e fui) muito sozinha por isso. Não fazia amizade com as pessoas porque não queria ter que me enquadrar no grupo delas, e isso também foi muito ruim. A gente tem que largar essa coisa de tentar controlar o que os outros pensam de nós e ser nós mesmos, sem se preocupar com rótulos ou grupos, ser apenas nós.

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    1. Fico imensamente feliz por gostar dos textos, Marina. E sinto sua sinceridade. O mais importante é que, pelos comentários eu percebo que apesar de termos várias coisas em comum, você sempre completa o que eu escrevo com algo novo. E isso me enriquece. Enriquece muito.

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