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A Hora da Estrela



Nessa segunda-feira, terminei o livro "A hora da Estrela" de Clarice Lispector."
Particularmente gostei muito do livro. Mas devo advertir à quem estiver interessado, que o livro não é para aqueles que gostam mais da história em si, do que da literatura contida. 

Exemplo: muitos livros, são interessantes, apesar do escritor ser terrível, ou pobre no jeito de escrever. Esse tipo de leitura é comum nos livros de suspense, onde você está sempre focado no enredo, curioso para saber o que vai acontecer com a Nina, se a Maria vai morrer ou se revelará quem é o assassino de Clotilde. Chamo esses tipos de livros de "novelas enrustidas", um tipo de literatura que nunca me seduziu.

Hora da Estrela, tem uma história que a própria autora define como seca e vazia. O importante no livro não é o enredo, mas a literatura. Afinal, estamos falando de Clarice Lispector e ela seria fantástica até pra descrever o trajeto de uma formiguinha. 

A personagem principal, é bem assim mesmo, uma formiguinha. Um ser insignificante. E nesse ponto, penso que Clarice rompeu com o dilema dos brasões literários.  Nada de uma personagem especial. Nada de personagem linda. Nada de personagem fantástica. Nada de ´personagem sofrida mais lutadora. Nada de personagem pervertida. Nada de bom tem a personagem do livro. Não tem nada de mal também. Ela fez exatamente o contrário de 90% dos escritórios. Ela criou um verme, um ser mais insignificante e insuficiente que nem Deus ousaria criar na face da terra. Alguém que de tão fraca e sem graça, não serviria nem pra ser má. 

O conteúdo do livro é simplesmente maravilhoso. Mas há de ter paciência. Clarice escreve o livro por um escritor que interrompe o enredo a toda hora e demora muito pra começar a falar de Macabéia, sua personagem. O escritor está aborrecido pelo fato de ter criado um ser tão insignificante. 

Do livro, cada um pode tirar frases interessantes, passagens fantásticas. Uma das mais famosas é "Ela acredita em anjos e porque acreditava, eles existiam", 

Deixo aqui  um pouco das passagens que eu mais gostei do livro, deixando de fora, as mais famosas que a gente sempre vê nas redes sociais, porque essas, vocês já estão cansados de ler.

Trechos do Livro



Que se há de fazer com a verdade de que todo mundo é um pouco triste e um pouco só?

Em todo caso o futuro lhe parecia vir a ser muito melhor. Pelo menos o futuro tinha a vantagem de não ser o presente, sempre há um melhor para o ruim. Mas não havia nela miséria humana. É que tinha em si mesma uma certa flor fresca.

Domingo ela acordava mais cedo para ficar mais tempo sem fazer nada. O pior momento da sua vida era nesse dia ao fim da tarde. Caía em uma meditação inquieta, o vazio do seco domingo. Suspirava.

Talvez (..) já tivesse chegado è conclusão de que vida incomoda bastante, alma que não cabe bem no corpo, mesmo alma rala como a sua. (...) se por acaso viesse alguma vez a sentir um gosto bem bom de viver - se desencantaria de súbito de princesa que era e se transformaria em bicho rasteiro. Porque, por pior que fosse sua situação, não queria ser privada de si, ela queria ser ela mesma.

Tinha um quarto só pra ela. Mal acreditava que usufruía do espaço. E nem uma palavra era ouvida. Então dançou num ato de absoluta coragem (..). Dançava e rodopiava, porque ao estar sozinha se tornava:
 L-I-V-R-E !

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